A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Carmem
Lúcia, negou, nesta sexta-feira, em Curitiba, a tese de que as primeiras
eleições sob a vigência da Lei da Ficha Limpa poderá levar muitas
disputas municipais para uma espécie de "terceiro turno" nos tribunais.
Segundo a ministra, a lei será 100% aplicada, os candidatos fichas sujas
serão declarados inelegíveis antes da disputa e, no final, haverá pouco espaço para contestação.
"Cada vez mais a sociedade
atua para votar de tal maneira que se tenha pouca coisa a se
judicializar. E essa ideia de terceiro turno é sempre o discurso daquele
que, não tendo ganho, acaba dizendo que compete a nós. Não. O que
compete ao Judiciário é fazer com que a lei tenha validade absoluta",
declarou a ministra.
Ainda sobre a competência do
Judiciário, Carmem Lúcia afirmou que "aquele que tenha ganho, mas que
tenha qualquer tipo de indagação sobre a lisura da eleição, a moralidade
dos procedimentos, a forma como obteve os votos, precisa, mesmo, ser
questionado. A soberania popular se faz, num estado de direito,
cumprindo-se a lei", afirmou, dizendo ainda que, no TSE hoje, de um
universo de mais de 5 mil municípios, restam menos de 50 processos
referentes à impugnações das eleições municipais de 2008. "Quem perde
quer ter uma chance de ao menos questionar, e ele faz isso. Isso é
democracia", afirmou.
A ministra garantiu que a lei da Ficha Limpa
será integralmente cumprida nestas eleições "É exatamente isso que nós
queremos, que a primeira eleição que ocorrerá sob a vigência da Lei da
Ficha Limpa tenha a lei rigorosamente observada nestas eleições. A lei
está posta. Ela tem eficácia jurídica e eficácia social, que é
diferente, porque foi o povo que teve a iniciativa dessa lei e o cidadão
tem grande expectativa no seu cumprimento integral", afirmou, dizendo
que a Justiça Eleitoral tem estrutura para agir em todos os casos em que
for provocada e que o prazo legal de cinco dias após o registro da
candidatura para a impugnação é suficiente para que a sociedade, o
Ministério Público ou os partidos políticos contestem candidaturas
possivelmente ilegais. "A estrutura exige essa rapidez, e esse prazo de
cinco dias é suficiente. Por conta da necessidade de exiguidade".
Carmem
Lúcia esteve em Curitiba para participar do III Congresso Brasileiro de
Direito Eleitoral. Ela ainda visitou, na tarde desta sexta-feira, a
sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, e ficou entusiasmada com
os preparativos da capital para a primeira eleição biométrica de sua
história.
Atenção à internet
Carmem Lúcia
também comentou a tentativa de regulamentação da propaganda eleitoral na
internet, principalmente nas redes sociais. A ministra lembrou que foi
voto vencido na decisão que equiparou o Twitter a um veículo
de comunicação sujeito à propaganda, mas afirmou que vai cumprir o que
foi decidido. Segundo ela, devido à dificuldade em controlar o fluxo de
informações na internet, a análise nessas mídias deve ser feita caso a
caso.
"É praticamente incontrolável, já que não temos legislação para tratar
das novas mídias. Basicamente, vamos aguardar sermos provocados em
casos concretos para analisar o que é propaganda e o que é manifestação
da liberdade de expressão".
Site: Jornal do Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário